
Crise do Varejo
A crise no varejo não é uma “surpresa macroeconômica”; é o efeito direto de modelos de negócios que dependiam de dinheiro barato do capital de giro para trabalhar margens operacionais baixíssimas. Como a Administração, o comitê de auditoria e finanças da sua empresa testa a capacidade da operação de sobreviver a períodos prolongados de taxa de juros elevada sem precisar queimar ativos essenciais?
Uma reportagem do g1 (Juros altos, crédito caro e marketplaces: os choques que pressionam o varejo brasileiro) sintetiza a tempestade perfeita que atinge gigantes do setor como Casas Bahia, Marabraz, Americanas, GPA e Marisa. A reportagem destaca 3 fatores entrelaçados:
O choque do crédito caro ao consumidor que reduz a demanda;
A compressão do fluxo de caixa operacional, enquanto a receita cai ou exige maior prazo de recebimento, as despesas fixas (aluguel, folha, impostos e dívida bancária) correm em ritmo acelerado;
E a transição incompleta para marketplaces, que exigiu aportes expressivos em tecnologia e logística.
É difícil aceitar que essa crise seja uma surpresa. A complacência dos conselhos de administração ao aprovar planos de expansão alavancados — sem impor um limite claro de perdas e sem submeter a operação a testes de estresse de juros e demanda — agora cobra o seu preço.
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