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Gestão em 5 de agosto de 2026

O descarte do auditor

Rompimento da Deloitte com Ambipar gera processo na CVM

Quando a auditoria vira inimiga da diretoria, quem paga a conta? Qual o limite entre divergência contábil e tentativa de silenciar o auditor?  A auditoria não é um fornecedor qualquer que você descarta quando o relatório não agrada o conselho. Se uma empresa não consegue convencer sua própria auditoria sobre a qualidade dos seus números, por que o investidor pessoa física deveria confiar nela?

Se você é sócio, investidor, conselheiro ou participante de um fundo em empresas de médio ou pequeno porte que nem passam perto da CVM, a lição de governança é exatamente a mesma. A troca frequente ou abrupta de auditoria revela o “desafeto” e o conflito de interesses, enquanto o Relatório de Auditoria e a Carta de Controles Internos (Carta de Recomendações/Deficiências) são o verdadeiro raio-X de riscos que a diretoria costuma tentar esconder embaixo do tapete.

Essa minha reflexão parte do recente imbróglio envolvendo a Ambipar, a auditoria Deloitte e a abertura de processo pela CVM que jogou luz sobre um vício antigo do mercado: a tentação da diretoria descartar a auditoria quando a opinião técnica contraria a narrativa da gestão. 

Reforço, trocar de auditoria não é crime! O estopim para a intervenção do regulador não foi apenas a troca em si — evento comum na rotina de companhias abertas —, mas as circunstâncias, farpas públicas e divergências contábeis não esclarecidas que cercaram a quebra de contrato. A auditoria teria sinalizado desconfortos ou ressalvas em relação a critérios de mensuração e reconhecimento de ativos,principalmente em relação ao mais de R$ 2 bilhões dos R$ 4,6 bilhões registrados em caixa estavam aplicados em um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), cuja existência não havia sido previamente divulgada ao mercado.

Junte-se isso aos outros acontecimentos e temos o maior laboratório de estresse do mercado de capitais brasileiro. Essa novela corporativa já envolve também: Uma guerra brutal de short squeeze entre fundos vendidos e investidores ativistas; A ressaca de um crescimento acelerado por M&A bancado por dívida cara; O questionamento definitivo sobre se a etiqueta ESG consegue sustentar um valuation quando o caixa aperta.

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